Que não se vete a verdade eleitoral

capa-229x300Diante da ofensiva  de Nélson Jobim e de Gilmar Dantas para evitar que prevaleça a decisão aprovada na Câmara, anunciando publicamente que vão apelar ao Presidente Lula para que vete a impressão simultânea do voto impresso, vou procurar, esta semana, o Ministro da Justiça – que é a quem, legitimamente, cabe a função de assessorar o Presidente da República, para levar-lhe um documento irrespondível sobre a necessidade de haver voto impresso, conferido pelo eleitor, e uma auditagem rotineira de comparação dos registros impressos aos registros eletrônicos, sob pena de, não havendo, todos os processos eleitorais estarem sujeitos à fraudes, muitas delas indetectáveis mesmo com a verificação das máquinas e de seus programas.

Trata-se de um estudo da Universidade de Nova Iorque, através do Brennan Center for Justice, que reuniu, durante um ano,  uma força-tarefa de 20 especialistas, de Universidades, Governo e instituições privadas, para analisar todos os equipamentos eleitorais que envolviam o voto eletrônico. Desta equipe participaram, inclusive, integrantes da Microsoft e Ronald Rivest, do Instituto de Tecnologia da Massachusetts,  um dos inventores da chave pública de criptografia eletrônica, o mais importante mecanismo de segurança em informática usado por todos os governos.

É uma publicação científica, séria. Não é um palpite de quem não tem conhecimento profundo em segurança eletrônica e repete o que funcionários do setor de informática do TSE dizem – por sua vez,  repetindo o que foi dito sabe-se lá por quem, pois não consta que o setor de informática do TSE seja um centro de expertise no assunto-  para afirmar que nossas urnas são 100% seguras e que o voto impresso simultâneo é “um retrocesso”.

Vou destacar um pequeno trecho, abaixo, e a seguir, traduzi-lo:

brennan1

Resumidamente, a comissão diz que a realização de rotinas automáticas de auditagem, comparando o voto impresso – conferido pelo eleitor – com os registros eletrônicos podem oferecer um caminho para tornar as fraudes muito mais difíceis. O estudo diz que o voto impresso, verificado pelo próprio eleitor, é “um valor de segurança inquestionável”, se for acompanhado “de uma rotina de auditagem pós eleitoral”.

Exatamente o que propusemos e exatamente o que está na lei aprovada. É isso o que Jobim e Gilmar querem que seja vetado. Por que?

O estudo, de 190 páginas, está disponível na internet, no endereço http://brennan.3cdn.net/cb325689a9bbe2930e_0am6b09p4.pdf . Não entendo como a imprensa brasileira, que dedica tantas páginas a suspeitas de fraude no Afeganistão e no Irã, não dispõe de um repórter que seja para ler um material como este e publicar.

Nos próximos posts, com a ajuda de Amilcar Brunzazzo, especialista em segurança eletrônica, vou rebater todos os falsos argumentos que se levantam contra a impressão simultânea do voto.

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