Para os que acham que o mundo é outro

barack-lenin-large-718694-199x300Virou moda dizer que o mundo mudou e não existe mais direita ou esquerda.  Há quinze dias, comentei aqui que, ao contrário do que acham apenas um fenômeno “folclórico” e divertido, a extrema-direita existe e não é insignificante. Racista, intolerante, golpista, autoritária. Mostrei aqui as camisetas que se vendem nos Estados Unidos chamando Barack Obama de marxista e pedindo seu impeachment. Por enquanto, este ainda é um movimento periférico, mas já faz de alguns de seus intérpretes figuras nacionais.

Hoje, leio no Blog do Noblat uma maravilhosa crônica de Luís Fernando Veríssimo sobre o assunto.

O motivo desta reação? A idéia de sustentar um sistema público de saúde público com impostos sobre salários e rendas de valor altíssimo – acima de US$ 1 milhão por ano. Não aconteceria isso, porém, se o presidente fosse um branco protestante, como Bill Clinton e não um negro de origem muçulmana.

O caldo de cultura de que se serve este movimento das elites norteamericanas  é, portanto, impregnado de racismo e de uma idéia religiosa sobre o lucro. Deus premia os capazes com a fortuna  e a pobreza é fruto da própria inferioridade humana dos pobres.

Que fosse este o raciocínio das elites, embora odioso, seria um fenômeno desprezível. Afinal, elas são a minoria da minoria e sua expressão deveria refletir essainsignificância. Mas ela “faz cabeças” e não é raro, na América, vermos pobres gritando contra impostos para os ricos.

Nem aqui.

Isso funciona de muitas formas. Construímos a idéia de que é a generosidade dos ricos – e isso vai desde os “projetos sociais” até o capital estrangeiro – o caminho da “salvação” do povo brasileiro. O caminho da abundância, nesta visão, seriam as migalhas fartas que nos cairiam da exploração das riquezas do país e do trabalho de seu povo.

O trabalhismo não é nacionalista por xenofobia, mas por anticolonialismo. Somos a corrente que, talvez, mais tenha incorporado a herança cultural e sindical de nossos imigrantes e a primeira a se abrir a um convívio pleno,  franco e independente com as forças políticas mundiais. O mesmo se passou  com a causa negra e a indígena.

O mundo mudou, sim. Mas não tanto, como se vê na América.

Aqui, continuamos a precisar levantar velhas – mas atualíssimas – bandeiras. O petróleo, o minério, a educação, a garantia do trabalho, a distribuição justa dos  seus frutos e, sobretudo, o povo brasileiro precisam ser defendidos sem vacilações ou “relativismos” ingênuos.

Afinal, como diz Veríssimo ao final de sua crônica, “lendo e ouvindo o que dizem por lá não se pode deixar de admirar a maneira como interesses particulares conseguem transformar ameaças ao seu poder – no caso americano, o direito elementar de todos a assistência assegurada – em ameaça ideológica e guerra pela alma de uma nação, passando pela demonização de um governo. Um truque que conhecemos bem”.

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