Apostar é mais seguro que votar

urnabrasSenador Eduardo Azeredo – aquele que quer censurar a internet – já explicitou que seu papel como relator da Reforma Eleitoral é repetir as afirmações do Ministro Nélson Jobim de que o voto impresso simultaneamente “é um retrocesso”. Os argumentos, se é que se pode chama-los assim, são pura mistificação.

 Aposta na loteria tem resultado rápido, mas tem impressão e auditoria… 

O primeiro deles é que, havendo voto impresso vai haver manipulação humana dos votos e, por isso, criarem-se condições para a fraude. Como quero ser uma pessoa polida, o senador falta à verdade.  Está lá, escrito no projeto, que a contagem do voto físico se fará por amostragem ou por dúvidas em relação ao apurado eletronicamente.

 Votar para presidente não tem e, segundo Azeredo, não precisa ter. 

O segundo argumento, ainda que fosse verdadeiro, seria pueril. “Vai atrasar a votação e vai atrasar o resultado”. Qualquer pessoa –  não precisa ser genial como o Ministro Jobim ou o Senador Azeredo –  quando tem que fazer algo importante, faz com calma.

Será que o sr. Jobim ou o senador não contam com cuidado, por exemplo, o dinheiro de um saque em um caixa eletrônico? Os segundos que economizariam enfiando sem contar o dinheiro no bolso valeria o risco de serem roubados pela máquina? Claro que vai conferir, porque as pessoas conferem o dinheiro e, se estiver errado, reclamam. Mas, na urna eletrônica, não há como conferir nada: é como se você sacar R$ 100,oo e a máquina, se o programa mandar, registra R$ 1,00. E pronto, não tem como conferir nada.

Quanto ao atraso na votação basta uma comparação. Nas extrações mais concorridas, a Mega-Sena, da Caixa, chega a registrar 70 milhões de apostas. Embora o prazo de apostas seja de três dias, não de um dia, como as eleições, o número de casas lotéricas anda na casa de 10 mil.  Mesmo que se imagine uma média de quatro máquinas por casa, o máximo que a Caixa fornece , seriam 40 mil. E todo mundo sabe que as lotéricas quase nunca trabalham com todas as máquinas operando.

As urnas eletrônicas passam de 350 mil em todo o país, o que daria nove vezes mais pontos de votação que os de aposta. E estes ainda fazem todo tipo de operação, com outras loterias, pagamento de contas e saques.

Ainda assim, com toda a tecnologia que a Caixa tem em suas máquinas, veja como ela se previne, segundo seu site oficial: “Como mais um requisito de segurança, para cada aposta, ficam registradas e são impressas no recibo as seguintes informações: data e hora, código da casa lotérica, número do bilhete, código de segurança e outras informações que identificam a transação. Todas essas informações são disponibilizadas às auditorias de órgãos fiscalizadores”.

Traduzindo: não vai haver contagem manual de todos os votos, mas de uma amostra das urnas. Apenas de 2% delas. Na maior cidade do país, isso representa menos de 250 urnas.  Nas cidades pequenas, a auditoria se ferá em apenas três urnas. Isto é, com este número de urnas, todos – candidatos, partido, Justiça e imprensa – terão plenas condições de fiscalizar aquelas urnas sorteadas para auditagem.

Então não é verdade que é o voto impresso que dará margem a fraudes. Ainda mais porque, sendo tão poucas urnas, não há nenhum problema em que a justiça até mesmo grave em vídeo a separação e a contagem dos votos.

Se isso não é verdade, porque é vendido à opinião pública?

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