Em decisão inédita, vereadores cassam mandato de Ralf

ralf leiteApós quase seis horas de sessão e sob protestos, o vereador por Cuiabá, Ralf Leite (PRTB), enfim, perdeu o mandato. A votação, concluída às 14h47, apontou placar de 16 votos a dois. Com a perda do mandato de Ralf, assume Antonio Cesar da Silva (PRTB), o Totó Cesar, que teve 3.045 votos. Ralf é o primeiro vereador da história da Câmara de Cuiabá a ser cassado por quebra de decoro parlamentar. A Casa tem 282 anos.  

   Antes de perder o cargo, o vereador tentou inúmeras “manobras” jurídicas para arquivar e suspender as investigações da Comissão de Ética da Casa. Com uma liminar expedida pela desembargadora do TJ, Clarisse Claudino, por exemplo, conseguiu protelar a votação do relatório para o segundo semestre. Nesta segunda (3), ingressou com novo recurso no TJ, mas dessa vez o pedido foi negado.

   Com fama de brigão, Ralf foi eleito para exercer o primeiro mandato em outubro de 2008, após várias tentativas frustradas de conquistar uma cadeira no Legislativo e, inclusive, na Assembleia. O envolvimento em sucessivas confusões virou motivo de piada, com citações em peças teatrais, pichações de muro e protestos, principalmente de mulheres que se dizem indignadas com a denúncia de espancamento feita pela ex-namorada dele. 

   O inferno astral de Ralf começou em 6 de fevereiro, quando foi flagrado por dois policiais militares em ato sexual com um travesti menor de idade, na região do Posto Zero, em Várzea Grande. Na ocasião, o vereador teria usado da prerrogativa de exercer cargo público para intimidar os PMs, crime que lhe custou o cargo no Legislativo. No inquérito, foi indiciado por exploração sexual e atentado violento ao pudor. Além desses crimes, o MPE denunciou o vereador por falsificação de documento, desacato à autoridade e corrupção ativa por ter tentado subornar os policiais. Também pede indenização para a reparação dos danos morais sofridos pelo menor – saiba mais aqui.

   O segundo escândalo envolvendo Ralf foi protagonizado pela manicure Maria José Aparecida (33). Ela prestou queixa-crime contra o vereador Domingos Sávio (PMDB), relator do processo contra Ralf, por suposta omissão de socorro e exposição a risco de morte. O episódio ocorreu no Lago de Manso, em Chapada dos Guimarães, em 5 de janeiro deste ano. Ao final das investigações, os indícios demonstravam que Ralf “armou” para Sávio e a queixa foi arquivada. As amigas de Maria José, Mayara Nascimento Federici e Suelen Célia Figueiredo, que também participaram do passeio no lago, atestaram que a manicure embolsou R$ 600, oferecidos por Ralf, para fazer um Boletim de Ocorrência contra Sávio – veja mais aqui.

   Não bastasse, a ex-namorada de Ralf, Cristina Gentil, denunciou o vereador por espancamento. Nesse inquérito, ele foi indiciado, inclusive, por tentativa de homicídio – leia mais aqui. (Andréa Haddad e Patrícia Sanches)

Votaram pela cassação (16):
Antônio Fernandes (PSDB)
Adevair Cabral (PDT)
Chico 2000 (PR)
Deucimar Silva (PP)
Domingos Sávio (PMDB)
Everton Pop (PP)
Francisco Vuolo (PR)
Ivan Evangelista (PPS)
Leve Levi (PP)
Lúdio Cabral (PT)
Lueci Ramos (PSDB)
Pastos Washington (PRB)
Paulo Borges (PSDB)
Professor Néviton (PRTB)
Roosivelt Coelho (PSDB)
Toninho de Souza (PDT)

Votaram pela absolvição (2):
Ralf Leite (PRTB)
Lutero Ponce (PMDB)

Abstenção (1):
Júlio Pinheiro (PTB)

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