Cristovam pede atenção da mídia para “escândalos invisíveis”

cristovam-buarqueTemos que nos escandalizar com a corrupção no comportamento, mas também com a corrupção existente nas prioridades. Tornar os escândalos invisíveis também é uma corrupção. A mídia não consegue ver escândalo na falta de prioridades das políticas, mas só no comportamento dos políticos – afirmou.

Como exemplo de “escândalo invisível”, o senador citou o fato de que 27% das crianças do Piauí não sabem ler, deficiência que atinge 11% do total das crianças do país. Isso, para Cristovam, é “um escândalo tão grave como o uso de passagem do Senado sem ser para o trabalho”.

Cristovam também enquadrou na mesma categoria a existência no Brasil de 14 milhões de analfabetos plenos, a concentração de 50% da renda do país em 1% da população, a ação de inconstitucionalidade impetrada por cinco governadores estaduais contra o piso salarial de R$ 950 a ser pago aos professores, as filas para cirurgias em hospitais, a prostituição infantil e a dependência de 50 milhões de pessoas “que só conseguem comer” graças ao programa Bolsa Família do governo federal.

Cristovam disse ainda que as eleições gerais do próximo ano apontam para a formação de um “escândalo previsível”, tendo em vista a falta de perspectiva da renovação da classe política.

Segundo o senador, o presidente da Casa, José Sarney, não pode ser responsabilizado pelos escândalos de ordem coletiva que atingem a instituição, como o uso de passagens aéreas e de verba indenizatória, mas apenas pelas denúncias de ordem individual que o atingem diretamente, a exemplo de nomeações para cargos comissionados, do recebimento de verba cultural da Petrobras por uma fundação da qual é presidente de honra e da suposta manutenção de uma conta bancária não declarada no exterior.

– É visível a responsabilidade dele se as denúncias forem comprovadas. O uso da verba da Petrobras em fundação é correto, mas se houve desvio de dinheiro a responsabilidade é de Sarney – assinalou.

Em aparte, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que considerava “um escândalo” a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em 12 capitais brasileiras. Ele salientou que o evento – espetáculo eminentemente comercial em que tudo é vendido – obriga o Brasil a investimentos completamente desproporcionais à realidade da população.

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